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Ritmo a dois: o que o app faz quando um dos dois atrasa a parte dele da meta.

Papel
Product design: fluxo, estados, UI e copy
Ferramentas
Figma (auto layout, componentes e variantes), Claude
Escopo
Um fluxo, seis telas, três estados de meta
Status
Conceito no Figma, ainda sem teste com usuários
Tela da meta Cozinha Nova atrasada 11 dias, com R$ 4.200 de R$ 6.000 e o aviso A data escorrega 11 dias. Bottom sheet Registrar aporte, com Bruno selecionado, valor de R$ 300 e a dica Combinado para outubro: R$ 300. Tela da meta Cozinha Nova de volta ao ritmo, com R$ 4.500 de R$ 6.000, 75% concluído e previsão para 12 de dezembro.

Contexto

A landing do nosso+ promete que o casal vai alcançar as metas "os dois no mesmo ritmo". A primeira versão das telas mobile mostrava o caminho feliz: metas, progresso, contas do mês. Bonito, mas não respondia a pergunta que decide se o produto funciona na vida real.

Uma meta a dois tem um jeito de dar errado que uma meta individual não tem: um faz a parte dele e o outro não. Num app de finanças pessoais, isso é só um número atrasado. Num casal, é uma conversa delicada. Se o app errar o tom, ele vira o fiscal da relação, e ninguém volta a abrir um app que gera briga.

Por isso a v2 não é uma galeria de telas. É uma história em seis telas sobre esse momento.

O fluxo em seis telas

Ana e Bruno, o mesmo casal da landing, têm duas metas. A Viagem dos Sonhos acabou de nascer e o Bruno ainda não entrou no app. A Cozinha Nova já está andando, mas em outubro o aporte do Bruno não veio. O fluxo acompanha o casal do convite até a meta voltar ao ritmo.

  1. Tela 1: meta Viagem dos Sonhos com R$ 0 de R$ 8.000, aguardando o Bruno, com o convite enviado e o histórico vazio.

    1. A meta nasce. O Bruno ainda não entrou.

  2. Tela 2: meta Cozinha Nova atrasada 11 dias, com o aviso de que falta o aporte do Bruno de outubro e as ações Lembrar o Bruno e Ajustar ritmo.

    2. Um mês depois. O ritmo escorrega.

  3. Tela 3: bottom sheet Registrar aporte com Bruno selecionado e R$ 300,00 preenchido.

    3. O Bruno registra. O valor combinado já vem sugerido.

  4. Tela 4: o mesmo bottom sheet com R$ 3.000,00 e o erro Passa do que falta na meta. Registre até R$ 1.800, com o botão Usar R$ 1.800.

    4. Erro. O valor passa do que falta.

  5. Tela 5: bottom sheet de sucesso Vocês voltaram ao ritmo, com a meta em 75% e a previsão de volta para 12 de dezembro.

    5. Sucesso. A previsão volta para a data.

  6. Tela 6: meta Cozinha Nova no ritmo, com os aportes de outubro dos dois confirmados e o marco de 75% no histórico.

    6. De volta ao ritmo. O marco entra no histórico.

Decisão 1

A meta existe antes do parceiro

Um app de casal tem um problema de partida: quase sempre só um dos dois chega primeiro. Se a meta só puder ser criada com os dois dentro, quem chegou primeiro desiste esperando.

Então a meta nasce com uma pessoa só, e a tela assume isso em vez de esconder. O selo diz "Aguardando o Bruno", o convite fica visível com as ações de reenviar e copiar link, e a copy explica o porquê: a meta só vira "de vocês" quando ele entrar. O ritmo de R$ 889 por mês já aparece (R$ 8.000 em nove meses, até julho de 2027), mas a divisão entre os dois fica em espera até o Bruno informar a renda.

O histórico vazio também não é um vazio. O empty state diz o que pode acontecer agora ("o primeiro pode ser de quem já entrou") e o botão principal muda para "Registrar primeiro aporte".

Tela da meta Viagem dos Sonhos com o convite pendente, a divisão em espera e o histórico vazio com a mensagem Nenhum aporte ainda.

Decisão 2

Proporcional, sem expor a renda

Dividir meio a meio é justo só quando os dois ganham parecido. O padrão do nosso+ é dividir proporcional à renda: na Cozinha Nova, Ana entra com R$ 450 (60%) e Bruno com R$ 300 (40%) dos R$ 750 do mês.

Só que proporcional à renda exige saber a renda, e salário é um assunto que muitos casais não abrem nem entre si. A regra que escrevi direto na interface resolve isso: "cada um vê só o percentual, nunca a renda do outro". O cadeado ao lado de "Proporcional à renda" é o lembrete visual dessa promessa em todas as telas.

Tela da meta Cozinha Nova atrasada: selo Atrasada 11 dias, barra de progresso em laranja e o aviso A data escorrega 11 dias com as ações Lembrar o Bruno e Ajustar ritmo.

Decisão 3

Atraso é uma data, não uma dívida

A forma mais óbvia de mostrar o atraso seria "Bruno deve R$ 300". Escolhi falar da consequência para os dois, e não da culpa de um. O título do aviso é "A data escorrega 11 dias", e o selo no topo diz "Atrasada 11 dias". O valor que falta aparece, mas como informação ("Falta R$ 300"), junto com o que resolve: se entrar até o dia 31, vocês voltam ao ritmo.

O aviso oferece duas saídas, porque atraso tem duas causas. "Lembrar o Bruno" é para quando foi esquecimento: o app faz a cobrança, e a Ana não precisa. "Ajustar ritmo" é para quando o combinado não cabe mais no mês e precisa ser renegociado.

A cor muda para laranja no selo, na barra e no aviso, mas nunca sozinha: todo estado também tem ícone e texto, para quem não distingue as cores.

Decisão 4

Um erro que já traz a correção

O registro de aporte abre como bottom sheet sobre a meta, sem tirar o casal do contexto. No estado padrão, o Bruno aparece selecionado e o campo traz a referência do combinado logo abaixo: "Combinado para outubro: R$ 300 (40% de R$ 750)". Ninguém precisa lembrar quanto era a sua parte.

No erro, o Bruno digita R$ 3.000, mais do que os R$ 1.800 que faltam para a meta. Em vez de só pintar o campo de vermelho, a mensagem diz o limite ("Registre até R$ 1.800") e o botão principal vira a própria correção: "Usar R$ 1.800". "Corrigir valor" fica como segunda opção, para quem digitou um zero a mais.

Registrar aporte no estado padrão: Bruno selecionado, R$ 300,00 e a dica Combinado para outubro: R$ 300 (40% de R$ 750), com o botão Registrar R$ 300. Registrar aporte no estado de erro: R$ 3.000,00 com borda vermelha, a mensagem Passa do que falta na meta. Registre até R$ 1.800, e os botões Usar R$ 1.800 e Corrigir valor.

Decisão 5

O sucesso fecha o ciclo com o outro

A confirmação não diz "Aporte registrado". Diz o que mudou para o casal: "Vocês voltaram ao ritmo". Com os R$ 300 do Bruno, a Cozinha Nova chega a 75% e a previsão volta para 12 de dezembro.

A ação secundária é "Avisar a Ana". O fluxo começou com a Ana sozinha esperando o aporte do Bruno, e termina com o Bruno podendo contar para ela. Na tela da meta, o marco de 75% entra no histórico ao lado dos aportes, para que a conquista fique registrada, e não só o dinheiro.

Bottom sheet de sucesso: ícone de confete, o título Vocês voltaram ao ritmo, o selo No ritmo, a barra em 75% e os botões Ver a meta e Avisar a Ana. Tela da meta Cozinha Nova no ritmo: R$ 4.500 de R$ 6.000, Ana com 60% e Bruno com 40% dos aportes, os dois com outubro confirmado, e o histórico com Bruno guardou, Marco de 75% atingido e Ana guardou.

Um protótipo que fecha a conta

Em produto financeiro, número inconsistente em protótipo vira desconfiança no teste. Por isso os dados das seis telas são uma única história que fecha de ponta a ponta, e qualquer pessoa pode refazer a conta.

Componentes

As seis telas são montadas com as mesmas peças, todas em auto layout e ligadas às variáveis do design system do nosso+ (cor, espaçamento, raio e tipografia). O PaceBadge carrega o estado da meta (aguardando, atrasada, no ritmo) com ícone, texto e cor juntos. O ContributionSplit mostra quem guardou quanto e se adapta ao convite pendente. Os avisos e o bottom sheet repetem a mesma estrutura de ícone, mensagem e ações em todos os estados.

Na prática, desenhar um estado novo, como uma meta concluída, é trocar variantes e copy, não redesenhar a tela.

O que ainda é hipótese

Este fluxo ainda não passou por teste com casais. As decisões acima são escolhas de design com um raciocínio por trás, não resultados. É isto que eu validaria primeiro, e como.

Próximos passos

O que fica de fora desta versão do fluxo.

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